Municípios do baixo Amazonas em estado de alerta por causa da cheia do rio

Mais de 11 mil famílias foram afetadas pelas cheias dos rios Purus e Juruá, e os municípios do Baixo Amazonas estão em alerta.

Enchente no Porto de Parintins em 2009
Os Municípios do Baixo Amazonas, no lado leste do Estado, na fronteira com o Pará, estão em estado de alerta vermelho com a elevação das águas do Rio Amazonas nas últimas semanas.  Em Parintins ( a 325 quilômetros de Manaus), há um mês o nível do Rio Amazonas ultrapassou as cotas de 2010 e 2011 e agora está a pouco menos de oito centímetros para alcançar a grande cheia de 2009.

Naquele ano, a Ilha se dividiu em duas, o porto de Parintins alagou, a Cidade Garantido foi tomada pelas águas e os artistas terminaram a produção de alegorias para o Festival Folclórico na concentração do Bumbódromo.

Uma equipe da Defesa Civil Municipal visita, desde quarta-feira,   as regiões do Paraná do Limão, Agrovilas do Caburi e Mocambo, onde as famílias são as mais  atingidas. “Estamos entregando kits de higiene e água”, disse o coordenador  Sebastião Teixeira.  

Monitoramento

A equipe realiza o monitoramento nas localidades e contam a ajuda dos agentes comunitários que fazem o acompanhamento da subida das águas.  Em Parintins, a régua fluviométrica marcou, na quinta-feira, 7,08 metros acima do nível normal, bem próximo da cota de 2009, que neste mesmo período assinalava 7,16.

“Sabemos que esta época está chovendo muito na região e que depois a chuva irá cessar. Mas estamos todos em situação de alerta, porque estamos preocupados com uma anomalia climática. Não sabemos o que irá acontecer”, completou o coordenador de Defesa Civil. 

Emergência

No Amazonas, os Municípios de Juruá, Ipixuna, Carauari, Eirunepé, Guajará, Envira e Itamarati, na parte Oeste do Estado, encontram-se em situação de emergência. Essas cidades, inclusive, começaram a receber ajuda humanitária do Governo do Estado.

Ontem, o presidente da Comissão de Assuntos Municipais e Defesa Civil da Assembléia Legislativa do Amazonas( Aleam), deputado estadual Tony Medeiros, seguiu com uma equipe da Defesa Civil de Parintins para a zona rural do município. 

“Estivemos na calha do Juruá, em Tabatinga, Benjamim Constant e lá a cheia está grande com dados que já ultrapassaram cotas mais altas. Então a preocupação com esta enchente é muito grande porque poderá ser uma das maiores”, comentou.

A Região do Baixo Amazonas compreende as cidades de Parintins, Boa Vista do Ramos, Nhamundá e Barreirinha.
Maior cheia

Em 2009, somente no interior de Parintins, mais de 3 mil famílias foram atingidas. Na sede do município as aulas foram interrompidas e até o Festival Folclórico chegou a ficar ameaçado, com a inundação da Cidade Garantido. 

O porto da Ilha, hoje reformado, também foi ao fundo e os passageiros que chegavam para o festival circulavam em pontes improvisadas, construídas de madeira.
Ainda naquele ano, a cidade de Barreirinha ficou praticamente submersa pelas águas do Paraná do Ramos. Os moradores passaram a morar em balsas flutuantes e outros foram transferidos para comunidades rurais de área de terra firme.

Festival ameaçado
Na Cidade Garantido, quartel-general do boi, artistas e dirigentes assistem a subida do Rio Amazonas apreensivos. O presidente do bumbá, Telo Pinto, encaminhou na quarta-feira ofício a Defesa Civil Municipal solicitando informações sobre a enchente.  “Estamos fazendo um acompanhamento da subida do Rio e estamos preocupados. Queremos saber essas informações para definir  onde faremos nossas alegorias, se tivermos que nos mudar. Queremos fazer isso antecipadamente, porque tudo isso causa um desconforto para o trabalhos e para aos artistas que trabalham no boi”, afirma o presidente. 

Ele relembrou o ano de 2009, quando o Garantido terminou as alegorias na concentração do Bumbódromo, faltando 40 dias para o Festival Folclórico. “Iremos reunir, na segunda-feira, a diretoria e a Comissão de Artes e expor toda essa situação a respeito da enchente e as estratégias que teremos de montar se o rio subir demais e inundar a Cidade Garantido”, concluiu.

La Niña
O Centro de Monitoramento Ambiental do Subcomadec e o  Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), informaram que na calha do Juruá vem passando por anomalia climática,  conhecida como La Niña – que corresponde ao resfriamento das águas do Oceano Pacífico.
Além disso, ainda sofre influência da atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul-ZCAs - o que ocasionou a alteração do comportamento climático e hidrológico e conseqüente  a antecipação do período de chuvas.

Fonte: Acrítica